Férias 2019 – Uzbequistão – Bukhara – 07 e 08 de junho

 

Bukhara

Fomos de avião para Urgench e de Urgench para Bukhara – https://whc.unesco.org/en/list/602/ .

Uma cidade maior do que Khiva e com infraestrutura melhor. Apesar de menor, achei Khiva mais interessante – Cidade do deserto, Bukhara foi classificada pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. Nela há mais de 350 mesquitas, cem faculdades religiosas e mais de 140 monumentos arquitetônicos. É o que se pode chamar de uma cidade museu.

Bukhara prosperou com o comércio da Rota da Seda tornando-se um dos grandes centros intelectuais do Mundo Islâmico. Destruída por Genghis Khan no século XIII, a cidade foi reconstruída pelos seus sucessores Turcomanos e Uzbeques, tornando-se uma das cidades mais sagradas do Islã.

Logo que chegamos, fomos passear pela cidade antes de irmos ao Edem Plaza Hotel – https://edem-plaza-bukhara.booked.net/, onde ficamos duas noites.

 

No primeiro dia, vimos muitos prédios históricos. No segundo, aproveitamos um pouco antes de deixarmos o grupo e voltarmos para o hotel. Eu e alguns amigos não estávamos bem e achamos melhor não continuarmos o passeio.

No fim do dia, o restante do grupo chegou com alguns passando mal também e se juntaram a nós naquele mal estar. Foi horrível. Foram quase dois dias dentro do hotel, atendidos por um médico local. Tivemos uma intoxicação alimentar muito forte e dela eu me lembro até hoje.

Não tenho muitas lembranças de Bukhara porque pouco vi da cidade. Lembro que as construções históricas são semelhantes às de Khiva.

Muito famosas em Bukhara são as toalhas Suzani, os tapetes, uma prova da forte relação com os persas, e os trabalhos feitos pelos ferreiros.

Suzani é um tecido feito desde a antiguidade na Asia Central (Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão). A origem do nome Suzani vem da língua persa e significa beleza tribal. Característicos medalhões florais e geométricos, cores fortes e marcantes foram reproduzidos nos tapetes tecidos a mão em ponto fino.

 

 

Tradicional na cidade, o trabalho mais importante dos ferreiros consiste na confecção de facas. No entanto, encantam mesmo as tesouras cegonha, com design especial para efetuar cortes arredondados. Claro que quase todos saíram de lá com a tesourinha cegonha.

 

Seguem Mesquitas, Minaretes e Madrassas, alguns lugares que vimos ou que deveríamos ter visto porque são atrações locais.

 

Lyabi Hauz Ensemble – Um dos mais populares pontos turísticos de Bukhara. Serve de ponto de descanso e, além de bonito, abriga uma escola, uma igreja e um hospício.

 

Magoki-Attori Mosque – Foi construída antes das invasões dos mongóis de 1219. É a mais antiga mesquita sobrevivente da Ásia Central. Fica um nível abaixo da cidade e as colunas representam um livro aberto ou dois pergaminhos. Hoje é permitido acesso mediante pagamento.

 

Chor-Minor Madrasah – Folhetos turísticos afirmam que o trabalho em mosaico inclui referências enigmáticas a outras religiões além do islamismo, incluindo cristianismo, budismo e zoroastrismo.

 

Trading Domes – Cúpula comercial, um lugar onde se pode conhecer artigos locais. Não é um shopping como aqueles que conhecemos, mas é um lugar muito interessante.

 

Perto dali fica Poi Kalyan Complex – um lugar muito bonito onde se encontram a Poi Mosque, o famoso Kaylan Minaret e a escola teológica Mir-i-Arab Madrasah.

Kalyan Minaret  – Último fragmento sobrevivente da mesquita da era Karakhanid, construída por Mohammad Arslan Khan em 1127. O topo se transforma em uma lanterna em forma de coroa. Servia para chamar os fiéis para orar cinco vezes por dia e provavelmente foi também usada como posto de correio ou farol.

 

Poi Kalyan Mosque – Reconstruída no início do século XVI depois de ter sido queimada, destruída parcialmente pela queda de parte do minarete e de outras intempéries. Sua fachada foi concluída em 1514 ou 1515. Kosh é o nome que se dá a esse estilo de construção de um edifício em frente ao outro. Essa era uma prática comum nas cidades da Ásia Central.

 

Mir-i-Arab Madrasah – Seu nome significa “Príncipe dos Árabes”. A tumba do fundador da madrassa, Mir-i-Arab, fica numa das salas localizada atrás da fachada principal. Nas outras, até hoje funciona uma escola muçulmana ou uma casa de estudos islâmicos.

 

Ulugbek Madrasah – Escola que foi reconstruída periodicamente. Somente os ornamentos celestes usados no exterior da escola foram preservados devido ao interesse de Ulugbek pela astronomia. Agora é o Museu da História de Restauração dos Monumentos de Bukhara.

 

Abdulaziz Khan Madrasah – Também faz parte do conjunto arquitetônico da Escola de Ulugbek, só que é mais bonito e luxuoso. Foram usadas diversas tecnologias para proporcionar conforto nas diversas estações do ano, em especial no verão e no inverno. Possui duas mesquitas, uma de inverno e outra de verão.

 

Ark Fortress – Antes de Bukhara ser conquistada pelos árabes, foi a residência dos governantes da cidade. Depois foi um centro administrativo e hoje é um museu arqueológico, o mais antigo de Bukhara.

 

Bolo-Khaus Mosque – Quando passamos por lá, vimos muitos homens rezando. É uma mesquita Friday Prayers. Tem um design que abriga fiéis no verão (parte externa) e no inverno (parte interna). Possui 40 pilares e cada um é formado a partir de dois troncos de árvores. Seu nome significa “Acima da Piscina”, referindo-se ao hauz octogonal ou lago artificial que fica em frente.

 

Samanids Mausoleum– É o edifício mais antigo de Bukhara. O mausoléu é extremamente importante do ponto de vista histórico da arte, pois é o primeiro exemplo de tumba islâmica a sobreviver na Ásia Central. Sobreviveu por acidente, pois ficou embaixo da lama por muitos séculos até ser redescoberto pelo arqueólogo V. A. Shishkin.

 

Chashma Ayub_Mausoleum – Fica no meio de um cemitério antigo e chegou com algumas perdas aos dias atuais. O valor histórico do monumento consiste na datação exata escrita em ktoba (1208-1209 A.D.). Ou 605 anos pelo calendário muçulmano.

 

Summer Palace of Bukhara Emirs Sitorai-Mokhikhosa – https://www.centralasia-travel.com/en/countries/uzbekistan/places/bukhara/sitorai_mokhi_khosa

Hoje é um museu onde se pode ver móveis antigos, porcelanas japonesas e chinesas, vários utensílios e uma coleção de vestidos nacionais do século XIX, decorados em ouro com o famoso bordado de Bukhara – Suzani. Era a residência dos emires de Bukhara até pouco tempo.

Foi a residência da esposa do Emir. Como ela morreu cedo, o palácio recebeu o nome poético de Sitorai Mokhi Khosa (palácio parecido com estrela e lua) em sua homenagem.

Cada concubina que chegava era colocada frente a um espelho e um efeito especial a transformava em muitas, dando a ideia de que não era a única.

O clima do palácio é diferente, nunca é quente. Esse efeito foi conseguido graças ao antigo método de localizar locais para edifícios importantes – colocar carcaças de ovinos nos possíveis canteiros de obras. O lugar ideal era onde a decomposição fosse menor.

 

Chor-Bakr Necropolis – Um conjunto de 25 construções que ocupa cerca de 3 hectares. Depois de vários estágios de construção, o memorial se desenvolveu no início do século XX quando o pequeno minarete foi construído. Foi erguido no lugar do provável cemitério de Abu – Bakr-Said, que morreu nos anos 360 pelo calendário muçulmano (970-971 DC), um dos quatro de Abu – Barkrs, descendentes do Profeta Muhammad.

 

Khoja Bakhouddin Naqsband Mausoleum – É um dos mais importantes santuários muçulmanos. Todos muçulmanos o conhecem, reverenciam e vão até lá para pedir a realização dos seus desejos e a cura para doenças. É considerado Meca da Ásia Central.

Naqshband foi o professor espiritual de Amir Temur e fez hajj para Meca 32 vezes (peregrinação dos muçulmanos para Meca). Rejeitou o luxo e apelou para as pessoas serem modestas. Sua filosofia foi baseada no princípio “Dil ba joru, dast ba kor” “O coração com Deus, as mãos em ação”.

 

Nodir Devon Begi Madrassah – Fica no centro histórico Lyabi Hauz e foi construída pelo primeiro ministro (vizir) de Bukhara, Imam Kulikhan, no início do século XVII. Suas paredes externas e internas são pintadas e, misteriosamente, há um painel brilhante na entrada no qual dois pássaros voam em direção a um sol humano, segurando, nas patas, gamos ou leitões. A parte interessante e misteriosa é que o Islã proíbe desenhar ser humano ou animal.

Lá dentro há lojas de artesanato. Músicos e dançarinos demonstram sua arte por meio de um show de 45 min. Nos intervalos, os estilistas de Bukhara apresentam suas coleções que misturam tecidos uzbeques, sedas e moda moderna. Após o show, os turistas podem comprar as roupas de que gostaram.

Se for pedida, uma refeição típica é servida. São pratos da culinária uzbeque, chás tradicionais e doces orientais.

Para mim, um dos pratos, o famoso Pilaf, foi o causador ou a gota d’água do nosso terrível desarranjo. Só de pensar nele, sinto arrepios!

Se pudéssemos ficar sem comer, o passeio teria sido maravilhoso!

 

Se observarmos as fotos, veremos que predomina a cor azul. Segundo o guia, ela representa a ligação física com o céu. Não sei explicar bem como é isso, mas são construções bonitas, que dão paz de espírito. O problema é que ficam muito parecidas e é muito fácil confundir uma com outra. Para dizer a verdade, nem lembro de tudo que vi. Parecem tão iguais!!!!

O que chama a atenção mesmo e impressiona é o número de escolas onde se estuda o Alcorão. Realmente, não dá para negar a religiosidade existente no país.

O guia nos contou um pouco sobre a história do Mar de Aral. Desastre ambiental, sobrevivência? Não vou entrar nesse mérito.

 

Essa nostalgia o levou a falar sobre a vida que tinham antes da separação da União Soviética e sobre a vida que têm hoje. Antes não podiam ter muito, mas tinham paz e tranquilidade. Hoje as coisas mudaram. Podem ter o que querem, mas…. Muitos gostariam que não tivesse mudado.

Seguem alguns registros desses dois dias….

 

Bukhara – um pouco mais…

https://www.viajarentreviagens.pt/uzbequistao/moynak-para-onde-foram-as-aguas-do-mar-aral/

https://www.dailymotion.com/video/x17p8a0

 

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