Férias 2017 – 08 de junho – Mandalay

08-06-2017 – quinta-feira

Em Mandalay por duas noites, o morning call foi mais tranquilo. Saímos do hotel às 7h30 e, de ônibus, fomos até o porto. Lá, pegamos um barco para atravessarmos o Rio Ayeyarwaddy com destino ao norte, para conhecermos a Vila Mingun.

Porto é modo de dizer. Era, na verdade, um lugar sem nenhuma infraestrutura que tinha um barco ancorado. Ele até que era razoável mas, para entrar, foi preciso equilibrar numa corda e contar com a ajuda local. Pessoas com alguma restrição motora só conseguem subir ou descer dele se forem carregadas. Assim mesmo, tenho minhas dúvidas.

Enfim… passeio de barco é sempre gostoso porque dá para vermos o modo de vida de quem mora às margens do rio.

Navegamos por cerca de 40 minutos para chegarmos à outra margem, no ponto que queríamos. Para variar, vendedores de alguma coisa nos esperavam.

Ali, pegamos, de novo, o transporte público típico da região. Dessa vez, o táxi era uma carroça puxada por bois. Sim….táxi naquela região é carroça puxada por bois. Uma verdadeira aventura andar naquilo.

A primeira atração que vimos foi uma pagoda inacabada – Mingun Pahtodawgyi Pagoda https://www.renown-travel.com/burma/mandalay/mingunpagoda.html

Mingun Pahtodawgyi é considerado um dos famosos monumentos do mundo. É uma ruína também conhecida como a maior Pagoda inacabada do mundo. Foi construída pelo Rei Bodawpaya em 1791, que a deixou inacabada propositalmente. A Pagoda possui 49 metros de altura e, se tivesse sido completada, teria 150 metros.

As razões para isso são interessantes. Diz a lenda que se o rei terminasse a construção haveria uma tragédia que dizimaria seu reino. Supersticioso, ele a interrompeu. Em 1839, ela sofreu sérios danos devido a um grande terremoto que aconteceu na região e permanece, sem benfeitorias, como atração turística e não como lugar religioso. Crenças….

O Rei Bodawpaya também colocou um enorme sino ao lado da Pagoda Mingun Pahtodawgyi, Mingun Bell

https://www.myanmartour.com/second_largest_ringing_bell_mingun_mandalay_n114.html ,  o segundo maior sino do mundo. Era o primeiro até o ano 2.000.

O peso do sino na medida birmanesa é de 55,555 viss ou peiktha (1 viss = 1,63 kg), transmitido como um mnemônico “Min Hpyu Hman Hman Pyaw”, com as consoantes representando o número 5 na astronomia e na numerologia birmanesas.

Dizem que ele foi transportado de uma margem a outra por meio de dois barcos que, depois de atravessarem o rio, avançaram dois canais especialmente construídos para recebê-los. Os canais foram então reprimidos e o sino foi levantado, devido ao aumento do nível de água pela adição de terra ao canal bloqueado. Desta forma, o sino foi originalmente suspenso.

No terremoto de 1839, ele foi derrubado de seus apoios e foi ressuspensado pela Irrawaddy Flotilla Company, em março de 1896, com gatos e alavancas de fuso, usando fundos de assinatura pública.

Quase ao lado dele, fica a Mingun-Mya Theindan Pagodahttps://www.renown-travel.com/burma/mandalay/hsinbyumepagoda.html – uma bela construção branca, também conhecida por Hsinbyume Pagoda, por ter sido construída, pelo Rei Bagyidaw, em 1816, em homenagem à princesa Hsinbyume.

Seu formato, diferente das demais pagodas de Burma, representa o Monte Meru – http://www.hinduwebsite.com/hinduism/concepts/meru.asp , considerado o centro do Universo pela cosmologia Budista. Ela é circundada por terraços que significam os seis reinos na concepção budista – dos infernos, animal, dos espíritos, das asuras (antideuses), dos seres humanos e dos deuses. Nos seus entremeios o plano representa a terra e as ondas representam o mar.  – http://zeusbudismo.blogspot.com.br/2009/05/cosmologia.html

Visitar pagodas e templos é interessante e maravilhoso porque vemos ao vivo aquilo conhecemos pelos meios de comunicação.

No entanto, há um lado maravilhoso que livro nenhum mostra, que é a vida local como ela é, com seus usos e costumes. Por exemplo: paramos no meio do caminho para conhecer Chinlonehttps://pt.wikipedia.org/wiki/Chinlone , um misto de jogo de bola com dança, que é tradicional na Birmânia há mais de 1.500 anos. Segundo informações, pode ser jogado por mulheres, mas predomina entre os homens. Que habilidade com a bola!

Dali fomos para Mahamuni Buddha Temple – https://www.renown-travel.com/burma/mandalay/mahamunipagoda.htmlum dos maiores locais de peregrinação do país. A grande a atração desse local é o Mahamuni Buddha, uma grande estátua do Buda – Mahamuni significa Grande Imagem. Ela fica dentro de uma câmera onde só homens podem ter acesso para reverenciarem o Buda e colocarem folhas de ouro na sua imagem, em sinal de respeito. Vale ressaltar aqui que, com o passar do tempo, ela tem se modificado por causa da aplicação dessas folhas.

Segundo a lenda, o rei de Arakan, um estado da Birmânia, ficou muito impressionado com os ensinamentos do Buda que pediu a criação de uma imagem à sua semelhança. Para isso, ele e pessoas ricas de Arakan doaram ouro e outros objetos de valor que viabilizaram a criação de uma imagem realista do Buda. Ainda segundo a lenda, o Buda consagrou e animou a imagem, após o que as pessoas a chamavam de Imagem viva Mahamuni.

Não sei se essa é a causa do minucioso ritual que acontece todos os dias às 4h da manhã quando um antigo monge do Templo Muhamuni, testemunhado por vários budistas – homens à frente e mulheres atrás, separadas por cordas – lava o rosto da imagem e escova os seus dentes.

Nós não tivemos a oportunidade de ver o ritual, mas Tony e Kingiro colocaram umas folhinhas de ouro nela.

Por falar em folha de ouro, na sequência fomos até King Galon –   https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g295408-d6483673-Reviews-King_Galon_Gold_Leaf_Workshop-Mandalay_Mandalay_Region.html – conhecer o processo de fabricação do que eles chamam de Golden Leaf e ver os objetos fabricados por eles. Vale ressaltar que, segundo informações colhidas na internet, essa é uma atividade exclusiva de Mandalay. Em nenhum outro lugar do país encontramos a fabricação de folhas de ouro.

Apesar de ser uma fábrica, os preços dos produtos são relativamente altos. Isso se justifica se pensarmos no trabalho que é exigido para confeccioná-las.

Nosso almoço foi no Golden Duck Restaurant – https://www.facebook.com/pages/Golden-Duck-Restaurant/365635413456951 – uma das melhores refeições que fizemos até aquele dia. Comida deliciosa.

Depois do almoço fomos conhecer o Shwe Nandaw Kyaung Monastery – https://www.renown-travel.com/burma/mandalay/shwenandawmonastery.html , também conhecido por Golden Palace Monastery. Ele estava no complexo do palácio de Amapura e foi transferido para Mandalay para se tornar o apartamento real do Rei Mindon. Não possui imagens de Buda. Foi decorado com mosaicos de vidro e trabalhos esculpidos na madeira. Apesar de deteriorado pelo tempo, sobreviveu à destruição da 2ª Guerra Mundial.  Nele estão preservadas as 10 histórias sobre o nascimento de Buda – The Ten Great Jataka e as esculturas na madeira datadas do Século 19. Daí a sua importância para a história.

Em seguida fomos conhecer o maior livro do mundo. Como é isso? Uma Stupa Budista –  Kuthodaw Pagodahttps://edukavita.blogspot.com.br/2015/06/pagode-kuthodaw-e-maior-livro-do-mundo.html  – também conhecido como o maior livro do mundo, localizado aos pés da colina de Mandalay. Foi construído pelo Rei Mindon Min, em 1857.

Segundo registros, o rei, preocupado com a possibilidade de perder os ensinamentos do Buda Gautama devido a invasão dos ingleses, resolveu preservar todo o texto do Tipitaka Pali Canon, do budismo Theravada, inscrevendo-o em grandes lajes de pedra de um metro de largura, um metro e meio de altura e 13 centímetros de espessura. Cada laje foi colocada num santuário chamado Kyauksa Gu e estão organizadas ao redor do Pagode Central Dourado. Ao todo, são 729 inscrições com o texto e uma com o registro de como tudo surgiu, somando 1.460 páginas. Daí a representação figurativa de um livro, considerado o maior do mundo. Originalmente, cada santuário possuía uma pedra preciosa no seu topo. Os textos foram escritos em birmanês redondo e a escrita foi coberta com filamentos de ouro, que foram retirados durante a invasão inglesa, junto com quase todas as pedras preciosas.

Ao vivo, é muito mais do que qualquer descrição generosa. Belíssima!

Depois fomos para Sun Taung Pyae Pagodahttps://catbirdinthemekong.wordpress.com/tag/su-taung-pyai-pagoda/ –   localizada no topo de Mandalay Hill.

Diz a lenda que quem quiser ter vida longa deve optar por subir a pé, apreciando a beleza do lugar. Essa é uma das opções. Não foi a nossa. Deixamos nosso ônibus e pegamos carona numa camionete. Bem, pegar carona é um modo de dizer. Foi esse o transporte público usado para a subida do morro. Vale registrar que foi bem mais tranquilo do que os demais que experimentamos até aquele momento. Subir na camionete foi bem mais fácil do que encarar os 1729 passos até o topo, se fôssemos a pé.

Uma vez lá em cima, deu para ver a beleza da região. Para se ter uma ideia do calor, sem sapatos, como sempre deve ser a visita nesses lugares, para observar a região, só mesmo bem junto ao muro conseguíamos ficar sem sofrimento, ou seja, sem queimar os pés.

Já que o calor é muito forte nessa época do ano, não esperamos o pôr do sol, que dizem ser belíssimo, e fomos para o hotel.

A troca foi ótima também porque ele possuía amenidades dignas de serem aproveitadas.

Optei por fazer massagem. Myanmar Massage  – https://www.youtube.com/watch?v=jg6tb8hGSOE  – é uma bênção para o corpo e para a alma. O relax durante 1 hora (com um pouquinho de dor, é verdade) vale o investimento (40 dólares).

O jantar foi no próprio hotel, um buffet maravilhoso com direito a tudo que queríamos e bolo para o Walter, aniversariante do dia. Diferente do ano passado, dessa vez o bolo foi real e Walter comemorou seu aniversário com o grupo.

Depois do jantar, ficamos no bar do hotel curtindo um conjunto maravilhoso que estava tocando umas músicas muito gostosas.

Hoje, depois que tudo passou, tenho a certeza de que foi o dia mais bonito da viagem. Tivemos outros maravilhosos, mas a sequência do que vimos foi de uma riqueza ímpar.

Walter não participou porque tirou o dia para descansar. Ele pode ter tido um dia lindo, curtindo o hotel, mas foi uma pena não ter visto o que vimos.

 

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