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Férias 2017 – A viagem

Férias 2017 – A viagem

Foram 20 dias de descobertas. Mesmo tendo lido muito sobre os lugares antes de ir, o que vi causou sensações que foram do encantamento à decepção. Decepção? Sim, sempre acontece e isso não invalida nem atrapalha a viagem. Quando se espera muito por uma coisa, geralmente a fantasia é mais bonita do que a realidade. E foi o que aconteceu com Myanmar. Embora o país nos surpreenda a cada momento e possua lugares de uma beleza ímpar, não deixei de perceber que nem tudo que vimos é digno de admiração. Só que isso em nada diminuiu o encantamento que senti em cada lugar que visitamos. Taiwan surpreendeu e Dubai, já conhecido, não gerava expectativas.

Enfim, vamos aos fatos. Se eram suposições, expectativas, como coloquei antes de viajar, agora são as certezas do que vi e vivenciei nesses 20 dias.

Myanmar ou Birmânia?

Conhecida como Myanmar depois da sua abertura para o mundo, internamente é Birmânia, como nosso guia sempre se referia a ela, uma terra de povo extremamente amigável, simpático e acolhedor que nos recebe com a saudação oficial do país – Mingalaba!

Mingalaba é a palavra que abre as portas da comunicação. Mais do que um oi, é um cumprimento que exprime o desejo de algo bom para o interlocutor. Assim, nos sentimos acolhidos quando encontramos alguém que, com um sorriso nos lábios e carinha pintada com thanaka nos diz “Mingalaba”.

Conhecemos pessoas, um pouco da sua cultura, a religiosidade que impera em todos os lugares, templos maravilhosos e hotéis incríveis. Foi dessa forma que passamos dez dias entre as principais cidades – Yangon, Bagan e Mandalay.

Difícil descrever um país tão diferente. Sim, diferente de tudo que conhecemos.

Fuso horário fracionado, semana de 8 dias, riqueza e pobreza, religião e crenças…. Assim é Myanmar, a terra dourada.

Myanmar é um dos poucos países do mundo que tem o fuso horário fracionário em relação ao meridiano de Greenwich, a semana tem oito dias porque a quarta-feira é dividida – pela manhã é o Bohdahu e à tarde é Yahu e o calendário tradicional birmanês tem doze meses de 28 dias.

Já foi rico e hoje impera a pobreza entre a maior parte da população. Não vou discorrer aqui seus conflitos e os motivos que levaram ao que é Myanmar hoje, com templos riquíssimos e uma população extremamente religiosa e pobre.

Começamos por Yangon, depois fomos para Bagan, Mandalay e Lago Inle. Vimos de tudo um pouco, o suficiente para ter uma visão geral do país, do seu povo e sua cultura. Eu diria que a religiosidade, muito forte entre eles, pode ajudar a sobreviver sem grandes questionamentos, da mesma forma que impede maiores avanços pessoais. Como não temos a visão de mundo que eles têm, também não sabemos a real influência dessas crenças na vida de cada um.

Apesar da simpatia de todos, algo no ar me causou uma sensação de desconforto. Não gostei de ver tantas crianças vendedoras. Elas sabiam se comunicar para vender algo e diziam que vendiam para comer e estudar. Não vi nenhuma criança comendo. Aliás, pareciam famintas quando nos olhavam fazendo uma refeição. E a escola? Quando vão? Ficam o tempo todo na rua, sempre com adultos por perto.

Para nós, turistas, o calor pode incomodar, uma vez que é muito forte e a visita aos templos é sempre sem sapatos nem meias, com ombros e joelhos cobertos.

Adequando os horários, ele não chega a atrapalhar e o que podemos ver é sempre muito bonito.

A comida, variada em cores, sabores e apresentação atende a todos os gostos e, como balanço final, posso dizer que foi bom, muito bom conhecer esse pedacinho do mundo ainda desconhecido para muitos.

Não sei se voltaria, acredito que numa próxima oportunidade, talvez.

Gostei muito mesmo, mas não voltei tão deslumbrada como li em relatos na internet.

Só posso dizer que o que fizemos agora foi de bom tamanho e que deu para sair de lá valorizando a nossa vida, apesar do que vivemos hoje no nosso país.

Problemas à parte, viajar é sempre bom. Apesar de não ser tão religiosa nem espiritualista como os birmaneses, tenho minhas crenças e acredito que um trabalho de formiguinha é capaz de inspirar muitos a irem além dos livros e mídias para conhecerem um pouco mais. Vale a pena, podem acreditar.

http://www.jesustejel.com/eng/myanmar-the-golden-country/

https://www.youtube.com/watch?v=DlGqzKDxqqg

 

Taiwan

 

Também conhecida como Formosa, Taiwan é uma ilha que possui seus encantos.

Mesmo não sendo o principal destino dos turistas, também não foi o nosso, vale a pena conhecer.

Os lugares escolhidos para a nossa visita foram excelentes.

Apesar de a nossa programação inicial ter sido alterada por causa da chuva, e que chuva, não perdemos nada do que estava programado. Sem chuva, poderia ter sido melhor, mas foi bom.

Taipei é de fácil circulação, o trânsito não é congestionado, é limpa e organizada. O sistema de transporte é eficiente e relativamente barato.

Não posso avaliar o comércio local porque não tive oportunidade de conhecer. O pouco que vi pareceu interessante.

Interessantes mesmo foram nossos passeios pela Grande Taipei e interior do país. Das esculturas na praia feitas pela natureza ou pela mão do homem às tradições do país, passando pelo seu povo, pela comida e religião, sobrou uma certeza – Huang tem razão de se orgulhar do seu país, mas ele não conseguiu quebrar meu encanto por Hong Kong. Os dois lugares são ótimos e cada um tem suas peculiaridades. Minha escolha? Fico com os dois.

Aliás, não é segredo que a Ásia me encanta. Cada viagem é um aprendizado, uma lição de vida. Sempre volto delas com a sensação de que não poderia ter feito melhor escolha para investir meu tempo e dinheiro.

É incrível como cada viagem consegue me proporcionar diferentes momentos de prazer e sensações de bem-estar. Muita gente não consegue entender isso. Nem eu entendo, uma vez que não sou fã da comida asiática, meu lado consumista fica meio adormecido  e não agrego nenhum benefício material.

Só sinto que volto melhor, em paz comigo mesma porque descubro coisas e experimento sentimentos difíceis de descrever. Só quem sente é que pode entender.

Se valeu a pena? Preciso dizer???

https://www.youtube.com/watch?v=Mkx5sqexl84

https://www.youtube.com/watch?v=ljCvtMpIybI

https://www.youtube.com/watch?v=fseMcGqhLiA

 

Dubai

Quase uma parada obrigatória para começar a adequar o fuso antes da volta ao Brasil.

Se possível, por que não fazer essa parada estratégica? O preço do bilhete aéreo é o mesmo e há infinitas possibilidades de escolha de hotéis. Além disso, Dubai ofusca nossos olhos. Dá vontade de ser como eles quando crescermos. Brincadeiras à parte, Dubai merece ser visitada, apesar do calor terrível que faz em determinadas épocas do ano, como a que fomos.

Confesso que dois ou três dias de cada vez estão de bom tamanho. Dá para sentir o gostinho das coisas boas que o homem consegue criar e desenvolver. Conhecer as suas possibilidades e potencialidades também geram um encantamento difícil de explicar, mas fácil de entender quando sabemos que é o dinheiro, muito dinheiro, o facilitador da criatividade do homem.

Como é um país cujas tradições são seguidas e devem ser respeitadas, também com eles aprendemos novos valores e crescemos um pouco mais.

Enfim, agora  posso dizer que Mingalaba, Na Mo A Mi Tuo Fo e Salaam fazem todo sentido para mim.

https://www.youtube.com/watch?v=dNFYhDAUjUw

https://www.youtube.com/watch?v=R1rBFEKLIM4

 

“O destino não é só um lugar, mas uma nova forma de ver as coisas.” – Henry Miller

Férias 2017 – Retrospectiva

Retrospectiva

02-06-2017 – sexta-feira – São Paulo

Depois de enfrentar um trânsito razoável, chegamos ao aeroporto de Guarulhos às 20h50 e encontramos os colegas que lá estavam.

O check-in começou às 21h30, foi rápido e logo o grupo se dispersou.

Como tínhamos um longo período de espera, ficamos tentando nos comunicar com quem estava distante, quase sem sucesso, porque o sinal da internet e do celular estavam ridiculamente lentos. Resultado…. esperamos o embarque usando o velho e bom diálogo. Uma delícia conversar com os companheiros de viagem, já que estávamos iniciando mais uma jornada juntos e a expectativa era grande.

03-06-2017 – sábado – São Paulo – Dubai – Myanmar

Meia noite e meia começou o embarque. Uma hora e meia depois decolamos pela Emirates, voo EK 262, poltrona 46G, com destino a Dubai.

O serviço de bordo começou logo depois da decolagem. Com duração prevista de 15h, nossa primeira refeição foi o café da manhã, estratégia para irmos nos acostumando com o fuso de muitas horas adiantadas.

Nunca faço a melhor escolha de refeição ou não gosto de nenhuma. A verdade é que omelete ou ovo mexido antes de dormir não é a melhor opção para mim, mas era o que tinha.

Refeição ruinzinha, mas o avião…. A380 – https://www.youtube.com/watch?v=ARRsd41CWA4 , o maior do mundo, um luxo para a classe executiva ou superior. Para nós, conforto razoável. Possui dois andares, mas o segundo só vimos pelo filme que passa a bordo. Só deu para ver o bar do andar superior. Nada mal tomar um whisky lá, um privilégio para quem é vip. Não foi o nosso caso. Aliás, foi o do Tony, que fez upgrade usando milhas e não teve do que se queixar.

Bem… após o café, todo mundo desmaiou porque, no nosso horário, já passava das 4 horas da madrugada.

Começou a maratona…. ler, escrever, assistir a algum filme, comer…. Durante todo trajeto, frutas, chocolates, biscoitos, lanche e bebidas ficaram à disposição de quem quisesse.

Pouco antes da chegada a Dubai, foi servida outra refeição.

Pousamos (e que pouso!!!!) no aeroporto de Dubai – http://www.dubaiairports.ae/  às 23h (horário local). No Brasil, 17h (fuso de 7 horas a mais lá).

No aeroporto, tivemos tempo para andar, ver lojas, comer (aliás… é o que mais se faz durante a viagem). Tomei 1 limonada e comi uma pizza brotinho. Valor? 18 dólares

Por 55 dólares comprei uma bateria universal para carregar meu celular.

Quatro horas e meia depois (3h30, horário local), um ônibus nos levou até o avião que seguiria para Yangon. Que longe! Parecia que estávamos saindo da cidade, de tanto que andamos.

Dados do voo – EK 388 – Dubai – Yangon – Duração 5h03. Previsão de chegada 11h30 da manhã, horário local, 2h da manhã do Brasil. Fuso de 9h30 a mais.

As 5h transcorreram sem nenhum problema.

De início, serviram bebidas e um salgadinho. Três horas depois serviram o café da manhã, a melhor refeição de todo o trajeto até então.

Logo depois começaram os preparativos para a chegada. O pouso no aeroporto de Yangon foi excelente – http://yangonairport.aero/ .

Enfim, ansiosos e cansados, depois de tantas horas de voo, estávamos prontos para iniciarmos nosso passeio.

Foram 24h e meia de viagem. Fomos dia 02 para o aeroporto e chegamos dia 04 a Yangon, Myanmar. É tempo pra caramba! Cansa um pouco, mas não é nenhum exagero. Se desse para tomar um banho nesse período, eu diria que seria até confortável. Aliás, acho que voo tão longo pode ajudar na adaptação ao novo horário que é, praticamente trocar a noite pelo dia. Encontrar uma cama depois disso, a hora que for, é sono na certa. Como só vamos para a cama no horário de dormir do novo local, logo entramos no fuso. Simples assim. Nos outros dias, nem lembramos que trocamos o dia pela noite. Isso acontece na ida. Na volta…. que sofrimento!!!! Mas isso é outra história e fica para depois.

 

Férias 2017 – 04 de junho – Yangon

04-06-2017 – domingo

Chegamos ao aeroporto de Yangonhttp://yangonairport.aero/ – e fomos direto almoçar no Restaurante Padonmarhttp://www.myanmar-restaurantpadonmar.com/ .

Excelente escolha para a nossa primeira parada em terras estrangeiras. Além de ter uma comida gostosa, Padonmar significa Flor de Lótus, pureza do corpo e da mente no simbolismo budista. Segundo a crença, a Flor de Lótus fechada ou em botão é um simbolismo das infinitas possibilidades do Homem, enquanto que a Flor de Lótus, aberta, representa a criação do Universo.

Se, simbolicamente, isso pode ter ajudado a lavar e purificar a nossa alma, a chuva que caía, quando terminamos de almoçar, lavou nosso corpo, literalmente, porque ficamos encharcados só para ir até o ônibus, de tão forte que ela foi. Não era bem esse o banho que queríamos.

De lá, fomos para o Mercado Bogyoke (Bogyoke Aung San Market) – http://myanmartravelinformation.com/yangon-where-to-visit/bogyoke-market.html – um lugar que representa a cultura, o artesanato, o povo etc. Da comida ao ouro, vimos um pouco de tudo. Apesar de termos dinheiro local, já trocados no aeroporto, nossa disposição para compras, naquele momento, era zero, tamanho cansaço que sentíamos. Confesso que nem apreciei o que vi porque tudo que eu queria era um banho e cama. Para eu dispensar uma lojinha, só mesmo algo muito forte como o sono que sentia. Na verdade, o mercado estava previsto para ser visitado no último dia, que seria uma segunda-feira. Só antecipamos a visita porque o mercado não abre na segunda. Valeu porque foi uma maneira de termos uma visão geral do que encontraríamos pela frente nos outros dias.

Depois dele, ainda chovia muito e não tivemos outra alternativa senão irmos para o hotel, o que foi maravilhoso.

Naquela noite ficamos no Rose Garden Hotelhttp://www.theroseyangon.com/ . Muito bom, mas não curtimos nada do que ele oferece porque nossa estadia foi de apenas uma noite!

Como tivemos um tempinho de descanso antes do jantar, alguns embarcaram no sono e nem desceram às 19h, como estava previsto, para nos encontrarmos no restaurante.

Uma pena, porque o jantar foi ótimo. Entrada com patês e pães, sopa, lagosta, frango e cheesecake de sobremesa com sorvete de café.

 

Férias 2017 – 05 de junho – Bagan

05-06-2017 – segunda-feira

 Levantamos às 5h, tomamos café às 5h30 e às 6h já estávamos no ônibus com destino ao aeroporto. Embarcamos para Bagan às 7h30. Tudo muito corrido para aproveitarmos bem o tempo.

O dia amanheceu com sol e calor, bem diferente do dia anterior.

Decolamos no horário previsto para um voo de apenas 1h20. No trajeto, foi servido um lanche e a viagem transcorreu sem problemas. Só depois li na internet que viajar de avião pelo Myanmar não é muito seguro e que acidentes fatais ocorrem todos os anos. Ainda bem fiquei sabendo disso depois e que estou tendo a oportunidade de relatar a viagem já em terra firme, no Brasil.

Chegamos no horário previsto a Nyaung-U Airport, aeroporto de Bagan – https://www.skyscanner.net/airports/nyu/nyaung-u-airport.html .

Com sol e calor iniciamos nosso tour pela cidade. Fomos direto à Shwezigon Pagoda – https://www.youtube.com/watch?v=O5SYw9JpVloum dos destinos sagrados da região. Diz a lenda que o local da sua construção foi escolhido por um elefante branco, um animal bastante raro e considerado sagrado, de propriedade do Rei Anawrahta.

Ao fazer a visita seguindo no sentido horário, como é tradição, tivemos a oportunidade de apreciar a sua beleza de todos os ângulos e de ver a representação dos 37 espíritos (Nats), provavelmente, o aspecto mais significativo da história de Shwezigon, um foco central da religião birmanesa antes da chegada do budismo.

No país, “O budismo, religião majoritária – quase 90% dos habitantes – foi fundido com crenças ocultistas.

Eles misturam a veneração a Buda com a adoração de espíritos – incluindo 37 ‘grandes espíritos’. A maioria deles foram seres humanos que morreram violentamente e possuem um ‘grande poder’. Também são invocados os espíritos associados com árvores, água, montanhas e outros aspectos da Natureza”, afirma um relatório da Christian Aid. Por isso, quando algum cidadão começa a falar que Jesus é o maior espírito de todos, isso irritaria os espíritos adorados pelos birmaneses.”

De quebra, aproveitei para reverenciar “meu buda”, aquele que representa o sábado, dia em que nasci.

Depois fomos conhecer Gubyaukgyi Temple (Wetkyi-in), Gu Byauk Gyi – https://www.renown-travel.com/burma/bagan/gubyaukgyi-temple.html – De influência Indiana, foi construído no início do Século 12 pelo Rei Kyanzittha. Considerado um templo de caverna, possui uma estrutura diferente das demais. Ele é de pedra, com luz natural vinda de grandes janelas. Nele pudemos ver alguns murais que retratam cenas do Jataka, as histórias que falam sobre as vidas anteriores do Buda.

Como é proibido fotografar lá dentro, temos poucos registros que só foram conseguidos porque burlamos a vigilância.

Em seguida, fomos conhecer a Bagan Househttp://www.baganhouse.com/ – uma fábrica de laca, um dos artesanatos mais famosos do país. Produtos belíssimos.

Trabalhando em péssimas condições, sob um calor terrível, homens e mulheres produzem peças maravilhosas, vendidas a preços nada convidativos. Está certo que elas passam por muitas etapas e requerem muito trabalho. Segundo o guia, leva quase seis meses para uma peça ficar pronta. Tendo em vista a quantidade de produtos em exposição, dá para perceber que vimos uma amostra do processo de fabricação. Na minha opinião, os trabalhadores poderiam estar em melhores condições. Dá a impressão de ser um trabalho escravo.

Para se ter uma ideia de preço, uma petisqueira pequena custa mais de 150 dólares. Caixinhas pequenas podem ser compradas por 20, 30 dólares.

Pena que fomos lá no início da viagem. Se tivéssemos ido no fim, apesar do preço, eu teria comprado umas coisas de que gostei. Não as achei em outro lugar e produtos semelhantes não tinham a mesma qualidade. Vale a dica. Gostou? Se puder, leve.

De lá, fomos almoçar no Sunset Garden Riverside Restauranthttps://www.facebook.com/pages/Sunset-Garden-Restaurant-Bagan-Myanmar/446090522078026?nr . Comida gostosa. O peixe fez sucesso total. Delicioso.

Por causa do calor, a recomendação é ir para o hotel depois do almoço e continuar os passeios quando o sol já não está tão forte. Foi o que fizemos.

Foi uma bênção chegar ao Aureum Palace Resort & Hotelhttp://aureumbagan.htoohospitality.com/ depois daquele calor imenso.

Às 16h30 saímos novamente para conhecer o Ananda Phaya Templehttp://bagan.travelmyanmar.net/ananda-temple.htm – um dos quatro maiores do sítio arqueológico de Bagan.

Ananda é um templo budista construído em 1.105 d.C. durante o reinado do rei Kyanzittha, da dinastia Pagan. É um dos quatro maiores templos em Bagan.

A disposição dele é cruciforme, com vários terraços que conduzem a um pequeno pagode no topo, coberto pelo hti, que é o nome do guarda-chuva ou enfeite encontrado no topo de quase todos os pagodes do Myanmar.

O templo possui quatro Budas em pé, cada um voltado para os quatro pontos cardeais – norte, sul, leste e oeste. Ananda é uma fusão do estilo da arquitetura Mon e Indiana e é considerado uma maravilha arquitetônica.

Parcialmente destruído pelo terremoto de 1975, foi totalmente restaurado. Hoje é um dos templos altamente reverenciados de Bagan.

Lenda

Segundo a lenda, a imagem do Buda que fica no lado leste está segurando algo que se assemelha a uma pílula, simbolizando os ensinamentos do Buda para a cura dos sofrimentos. Ensinamentos de Buda – http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT553084-1655-2,00.html

Também é dito que o Rei mandou construir Ananda porque ficou fascinado com as histórias contadas por alguns monges que um dia apareceram no palácio. Tamanho foi o misticismo que eles passaram ao rei que ele quis construi-lo no meio das planícies de Bagan.  Após a sua construção, o rei executou os arquitetos apenas para torná-lo único no seu estilo – http://www.sacred-destinations.com/burma/bagan-ananda-pahto-temple

Na sequência, fomos a Shwesandaw Pagodahttp://www.gandawunshwebagan.com/bagan/shwesandaw-pagoda.htmlhttps://www.youtube.com/watch?v=sfEW6Q7S0kw  –  ver o pôr do sol.

Shwesandaw Pagoda é uma das mais altas de Bagan. Também conhecida como Ganesh ou Mahapeine, tem cinco terraços originalmente adornados com belas placas de terracota que retratam cenas do Jatakas – http://www.revistas.unilasalle.edu.br/index.php/Mouseion/article/view/27 –  http://www.mitografias.com.br/2015/11/contos-jataka/  – Jataka é um conjunto de 547 histórias extremamente populares relativas aos nascimentos anteriores de Buda. Esses contos estão preservados em todos os ramos do budismo.

Ver o pôr do sol do alto dos seus terraços é uma das suas maiores atrações. Foi o que fizemos. A visão que se tem é linda.

Com aquele calor intenso, não sei dizer se é mais difícil subir ou descer. Só sei que vale a pena o esforço.

Ainda de pernas bambas, fomos jantar no Restaurante Nandahttps://www.justgola.com/a/nanda-restaurant-and-puppet-show-4698324  – O show de marionetes foi razoável, diferente da forma a que estamos acostumados ver, e a comida muito mais interessante do que gostosa, mas eu comi bem. Serviu até de inspiração para comprar aquelas petisqueiras da fábrica de laca. Tarde demais…. Já tínhamos passado por ela e não tínhamos como voltar.

Ir para o hotel e curtir um pouquinho o bar foi uma ótima pedida, antes de dormir. Nem sempre dá para aproveitar tudo que o hotel oferece, mas ficar bem já satisfaz o corpo e a mente depois de um dia cansativo.

Férias 2017 – 06 de junho – Bagan

06-06-2017 – terça-feira

Levantamos cedo e, depois do excelente café da manhã, por volta das 7h30, saímos do hotel. Nossa primeira parada foi no Nyaung U Market –  https://www.justgola.com/a/nyaung-u-market-1978051760  – que fica em Nyaung U, uma pequena cidade dormitório, 4km distante de Bagan.

Nyaung U é um mercado animado, onde se pode comprar desde peixe fresco a roupas típicas de Myanmar, um sarong que eles chamam de “longyi”. Claro que não podia deixar de comprar um, depois de muita pechincha. Aliás, pechinchar faz parte de qualquer negociação por lá.

Mais do que isso, Nyaung U Market é um lugar para conhecer um pouco da cultura local e ver como eles conduzem a vida no dia a dia.

Como disse, há de tudo, mas muitas lojas são repetidas, vendendo do mesmo. O que diferencia é a maneira de barganharmos o preço. Quem chora mais leva a melhor, quase sempre pela metade do preço pedido originalmente. Afinal… nem precisaria. Na Birmânia, os números são grandes 10.000 – 20.000 e o preço é relativamente baixo para algumas coisas. Artigos populares são baratos, mas o preço do rubi, ouro, laca e seda não são nada convidativos. Um dólar equivale a 1.343 Kyats.

Além da roupa, aproveitamos para comprar algumas peças de laca – bandeja, potes etc. Artigos pessoais só valem a pena para quem gosta de roupas típicas. O tecido é leve, mas é muito comum. Comprei igual na Tailândia. Acho que tudo é fabricado na China.

Na minha opinião, todo mundo deveria visitar um mercado por onde passa, mas esse é estranho, até difícil de definir.

O lado bom do mercado foi conversar com as pessoas (pelo menos tentar….), conhecer e saber a origem do bronzeador usado por eles, um pó amarelo chamado “Thanaka”, que usam na bochecha. Isso garantiu nossa interação e foi muito divertido sair de lá com a cara pintada também.

O lado ruim foi passar perto dos peixes e das carnes em geral. Quantos mosquitos! Que coisa horrível ver aquilo!

Quando saímos, fomos para um lugar interessante chamado Salay – uma fábrica de açúcar de palmeira. Vimos desde a colheita até a extração do óleo da palmeira – Toddy Palm – uma espécie de palmeira que também serve para a produção de vinho – https://munchies.vice.com/en_us/article/ezq34p/climb-a-palm-tree-if-you-want-to-get-drunk-in-myanmar  . Naquele lugar, vimos fabricação de alguns produtos como o vinho, doce de palmeira com coco, mel, licor de palmeira etc. Além de provar um pouco de tudo, compramos umas coisinhas para levar. O vinho que comprei ficou no meio do caminho porque começou a vazar dentro da mala, exalando um cheiro nada agradável.

Para ir ao Mt Popahttp://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/viajologia/noticia/2013/07/suba-o-monte-popa-e-conheca-bdiversidade-espiritual-bde-mianmar.html  – http://wikitravel.org/en/Mount_Popa   – nossa próxima parada, levamos quase uma hora percorrendo uma estrada que aqui no Brasil seria considerada uma tremenda aventura. Em Bagan, parece comum. Tem muitas curvas, duas mãos, mas não cabem dois carros. Motorista hábil o nosso. Conseguiu subir o morro, em círculo, sem causar nenhuma tragédia.

Foi providencial uma paradinha no meio do caminho para registrarmos nossa presença na Nget Pyaw Taw Pagoda, que possuía as mesmas carinhas que vimos e compramos no mercado. Como tudo é muito místico na Birmânia (o guia nunca falou Myanmar), ficamos sabendo que aqueles bonequinhos, sempre em pares, se assemelham a um ovo e sempre permanecem em pé. Isso sinaliza que não devemos nos abater diante das adversidades porque elas passam. São chamados de Pyit Taing Htaung – Daí a vontade que Kingiro e eu tivemos de registrar nossa presença no local.

Voltando….Monte Popa é um extinto vulcão, 1.518 metros acima do nível do mar, que está localizado no centro da Birmânia, cerca de 50 km a sudeste de Bagan (Pagan). Ele pode ser visto nos dias de tempo claro, a partir do rio Irauádi (Ayeyarwady), que fica a 60 km dali. Monte Popa é, talvez, mais conhecido como um local de peregrinação devido aos inúmeros templos dourados que estão no topo da montanha e que são dedicados aos Nats (espíritos). O nome Popa significa flor em Páli/Sânscrito.

Dos 777 degraus para chegar ao cume do morro, agora já sem o carro, metade do grupo subiu apenas 200. Eu, entre eles. A outra metade foi até o fim. Como não voltaram muito animados, não sei se valeu a pena.

Eu fiquei contente com a minha quase terça parte porque conheci um pouco mais sobre a cultura local, uma vez que aproveitei o momento de espera para dar uma volta na rua e ver o “way of life” deles.

O diferencial ficou por conta dos macaquinhos que estavam por lá, quietinhos, sem incomodar os turistas. Em muitos lugares eles são treinados para “roubar” diante do vacilo das pessoas. Não foi o caso com nenhum de nós.

Detalhe – ir ao banheiro perto do local também não deixou de ser uma aventura. Por causa do calor, água e banheiro caminham juntos e não dá para evitar locais como aquele.

Enfim….não deu para esperar até a próxima parada que foi para almoçar no Popa Montain Resort Hotelhttp://popamountain.htoohospitality.com/ . Um lugar lindo, bem perto do Monte Popa. Foi lá que avistamos a montanha da maneira que queríamos.

Posso até dizer que, na minha opinião, foi bem melhor do que enfrentar todos aqueles degraus e o calor da subida.

A comida? Boa. Aliás, a comida na Birmânia vai de razoável a boa. Para muitos, ela é ótima. Eu é que sou chata para comer.

Após o almoço, fomos para o hotel.

A infraestrutura do Aureum Palace hotel – http://aureumbagan.htoohospitality.com/ – é excelente. Como todo Resort, oferece, além das comodidades 5 estrelas, spa e uma ampla área de lazer. Muito bom. Tem duas piscinas consideradas deliciosas para quem aproveitou. Não foi o meu caso porque preferi ir ao Spa fazer massagem (45 dólares).

Por causa dos pés inchados devido ao calor, optei por fazer uma massagem especial para circulação, com óleo. Que delícia! Valeu cada centavo investido.

Impossibilitada de entrar na piscina depois dela porque estava melecada demais, fui para o quarto tomar banho e descansar.

O jantar foi no hotel. Muito bom, também. Como o costume é jantar cedo, depois cada um fez o que quis. Nenhuma programação.

Férias 2017 – 07 de junho – Mandalay

07-06-2017 – quarta-feira

O dia começou agitado. Levantamos cedo porque tínhamos voo de Bagan para Mandalay.

Por ser tudo muito perto, rapidamente chegamos ao aeroporto e, meia hora depois de decolarmos, chegamos a Mandalay. Como a proposta sempre é aproveitar cada minuto, nossa programação já estava pronta e, assim que desembarcamos, fomos até Amapura para visitarmos Mahagandayon Monastery – https://www.youtube.com/watch?v=c8o5nTGX_8Uhttp://www.ursulasweeklywanders.com/religious-practice/monks-nuns-and-a-monastic-life-mahagandayon-monastery-and-sagaing-hill-myanmar/

Mahagandayon é o maior monastério Budista de Myanmar. Foi fundado em 1914 e lá vivem cerca de 2.000 monges que estudam e se preparam para a vida religiosa.

Existem muitas regras nesse jeito de viver como praticar o desapego, nunca pedir nada e seguir sempre em frente, sem olhar para a direita nem para a esquerda, o que não é muito fácil. Simbolicamente, isso significa encontrar o ponto de equilíbrio.

Apesar da pobreza do país, há fila de espera para doar comida aos monges. Por exemplo, quem quiser doar agora, não pode, terá que esperar até 2018 para isso.

Para nós, que não temos esse cunho religioso, é difícil entender. Por isso, ficamos com o lado turístico, uma vez que não temos atração igual no Brasil. Muito bonita, por sinal.

Ah…. depois do meio dia os monges não comem mais nada até o café da manhã. Dá para entender a razão de serem tão magrinhos…

Só que ser uma atração turística é um dilema para eles. Precisam do turismo para se manterem, mas as diferentes culturas, às vezes, entram em choque porque muitos turistas parecem ignorar (ou deliberadamente ignorar) as expectativas locais de comportamento dentro de terrenos sagrados.

Os turistas costumam chegar no meio da manhã para ver os monges seguirem em fila, descalços, silenciosos, carregando seu almoço em direção ao refeitório, para terem a última refeição do dia.

Foi o que fizemos. Nossa correria tinha esse objetivo, uma vez que exatamente às 10h30 um sino toca e tem início o ritual diário.

Para eles, é mais um dia na rotina do Monastério. Para nós, uma verdadeira atração turística.

Muito perto dali fica U Bein Bridge –  https://www.youtube.com/watch?v=5FPdnWvp1Qs  – considerada a maior ponte de madeira do mundo.

Como fomos antes do almoço, não vimos o pôr do sol que, na opinião de muitos, é um espetáculo da natureza.

Durante o dia, andar um pouquinho nela já foi de bom tamanho. Confesso que fiquei aflita e não sei se faria a travessia. A sensação de estar sobre o rio, numa ponte de madeira, balançando, não é das melhores.

Para variar, há um comércio local repleto de meninos vendendo alguma coisa. Como são insistentes!!! O pior é que comprar alguma coisa não resolve porque atrai outros vendedores e a gente não fica livre deles até subir no ônibus.

Depois disso, paramos numa fábrica de roupas de seda.

Na verdade, a ideia era ver todo o processo de tecelagem, mas nos teares, muito antigos, vimos algumas pessoas que pareciam estar tecendo as sedas. Não me senti atraída a comprar alguma coisa, apesar de ter visto algumas pashminas bonitas por cerca de 20 dólares.

O almoço foi no Delight Restaurant. Nada muito significativo. Parecia um lugar em início de funcionamento, sem muita estrutura.

Em seguida, fomos conhecer Kaunghmudaw Pagoda – https://www.youtube.com/watch?v=WJfzEEgu9jY  – https://en.wikipedia.org/wiki/Kaunghmudaw_Pagodahttp://www.shwemyanmar.info/attraction_map.php?index=96 – Segundo dados colhidos na internet, Kaunghmudaw é conhecido por seu design em forma de ovo, que se destaca entre os pagodes mais tradicionais. Seu nome formal, Yaza Mani Sula, significa a consagração de relíquias budistas, mas ela é conhecida por seu nome popular, Kaunghmudaw (“Merit-Fazendo real”). É um importante lugar para peregrinação e destino turístico na área de Sagaing.

A construção começou durante o reino do rei Thalun, em 25 abril 1636, e foi terminada 12 anos mais tarde, em 12 maio 1648. Sua cúpula foi continuamente pintada de branco para significar pureza e agora está toda coberta de dourado.

Reza a lenda que sua forma foi inspirada na perfeição dos seios da esposa favorita do Rei Thalun.

Pois é…se é fato ou boato não sabemos. O que vimos foi um design perfeito, que pode inspirar muitos cirurgiões plásticos.

Em seguida fomos até o rio e, de barco, atravessamos até a outra margem. Antes de pegarmos nosso transporte público, uma carroça puxada por cavalos, sentimos de novo aquela sensação de que seríamos assediados à exaustão. Não deu outra.

Dessa vez, o assédio foi das “meninas vendedoras”. Não tem como não comprar. Apesar de achar que são mandadas por alguém, fica difícil falar não diante de tanta insistência. Andamos vários kilômetros de carroça até chegar ao nosso destino e elas foram atrás, de bicicleta, oferecendo sempre mais. Tamanha insistência mereceu nossa consideração e compramos uma porção de coisas para ajudá-las.

Depois de algum tempo chegamos a Bagaya Kyaung Monasteryhttps://www.lonelyplanet.com/myanmar-burma/inwa/attractions/bagaya-kyaung/a/poi-sig/1369344/1335733 – um Monastério Budista, também conhecido como Maha Waiyan Bontha Bagaya Monastery. É uma das famosas atrações turísticas da Birmânia.

A palavra Bagaya é uma aproximação birmanês de Mon, língua phea kao kih, que significa, literalmente, Starflower.

Construído de madeira de teca pela primeira vez em 1593, foi queimado num grande incêndio em 15 de abril de 1821, junto com muitos edifícios importantes. Em 1992 o governo construiu um novo edifício de tijolos, no lugar do antigo, para colocar a imagem de Buda e as escrituras de Pitaka. Embora desgastado pelo tempo, é magnífico e fica no meio de amplos campos de arroz.

Pois é…. mas o que chamou mesmo a atenção foi a sala de aula. Muito interessante.

Interessante também foi a interação com pessoas que lá estavam. Não sabemos se moradores ou turistas. Só sabemos que a simpatia predominava entre todos, até no pequeno monge que se aproximou timidamente de nós.

Na saída …. quem encontramos? As meninas. Que coisa incrível! Depois descobrimos que Walter ficou conversando com elas durante a nossa visita a Bagaya. Não sei em que língua eles se comunicaram. Só sei que ele também comprou muitas coisas e conheceu um pouco sobre a vida delas.

A ida até a nossa última atração do dia foi acompanhada por elas, que começaram a assediar as outras pessoas do grupo.

Só desistiram quando chegamos ao Monastério Maha Aungmye Bonzanhttp://minglabar.net/where-to-go/mandalay/maha-aung-mye-bon-zan-monastery-mandalay-attractions/

O Monastério Maha Aung Mye Bon Zan (ou Me Nu Oak Kyaung), inteiramente construído em alvenaria de tijolos, foi o que melhor conseguiu sobreviver à passagem do tempo. Foi construído em 1818 pelo Rei Bagyidaw. Ele também sofreu danos no terremoto de 1838 e foi reconstruído em 1873. Dois grandes leões mitológicos guardam a entrada do lugar.

Fizemos o trajeto de volta e fomos para o hotel – Mandalay Hill Resort Hotelhttp://www.mandalayhillresorthotel.com/www/ – Muito bom.

Depois de um breve descanso, saímos para jantar no Ko’s Kitchen Thai Restauranthttps://www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g295408-d1892176-Reviews-Ko_s_Kitchen_Thai_Restaurant-Mandalay_Mandalay_Region.html – Jantamos razoavelmente bem e voltamos para o hotel.

Ir para a cama imediatamente foi a única opção, tamanho cansaço que estávamos.

Férias 2017 – 08 de junho – Mandalay

08-06-2017 – quinta-feira

Em Mandalay por duas noites, o morning call foi mais tranquilo. Saímos do hotel às 7h30 e, de ônibus, fomos até o porto. Lá, pegamos um barco para atravessarmos o Rio Ayeyarwaddy com destino ao norte, para conhecermos a Vila Mingun.

Porto é modo de dizer. Era, na verdade, um lugar sem nenhuma infraestrutura que tinha um barco ancorado. Ele até que era razoável mas, para entrar, foi preciso equilibrar numa corda e contar com a ajuda local. Pessoas com alguma restrição motora só conseguem subir ou descer dele se forem carregadas. Assim mesmo, tenho minhas dúvidas.

Enfim… passeio de barco é sempre gostoso porque dá para vermos o modo de vida de quem mora às margens do rio.

Navegamos por cerca de 40 minutos para chegarmos à outra margem, no ponto que queríamos. Para variar, vendedores de alguma coisa nos esperavam.

Ali, pegamos, de novo, o transporte público típico da região. Dessa vez, o táxi era uma carroça puxada por bois. Sim….táxi naquela região é carroça puxada por bois. Uma verdadeira aventura andar naquilo.

A primeira atração que vimos foi uma pagoda inacabada – Mingun Pahtodawgyi Pagoda https://www.renown-travel.com/burma/mandalay/mingunpagoda.html

Mingun Pahtodawgyi é considerado um dos famosos monumentos do mundo. É uma ruína também conhecida como a maior Pagoda inacabada do mundo. Foi construída pelo Rei Bodawpaya em 1791, que a deixou inacabada propositalmente. A Pagoda possui 49 metros de altura e, se tivesse sido completada, teria 150 metros.

As razões para isso são interessantes. Diz a lenda que se o rei terminasse a construção haveria uma tragédia que dizimaria seu reino. Supersticioso, ele a interrompeu. Em 1839, ela sofreu sérios danos devido a um grande terremoto que aconteceu na região e permanece, sem benfeitorias, como atração turística e não como lugar religioso. Crenças….

O Rei Bodawpaya também colocou um enorme sino ao lado da Pagoda Mingun Pahtodawgyi, Mingun Bell

https://www.myanmartour.com/second_largest_ringing_bell_mingun_mandalay_n114.html ,  o segundo maior sino do mundo. Era o primeiro até o ano 2.000.

O peso do sino na medida birmanesa é de 55,555 viss ou peiktha (1 viss = 1,63 kg), transmitido como um mnemônico “Min Hpyu Hman Hman Pyaw”, com as consoantes representando o número 5 na astronomia e na numerologia birmanesas.

Dizem que ele foi transportado de uma margem a outra por meio de dois barcos que, depois de atravessarem o rio, avançaram dois canais especialmente construídos para recebê-los. Os canais foram então reprimidos e o sino foi levantado, devido ao aumento do nível de água pela adição de terra ao canal bloqueado. Desta forma, o sino foi originalmente suspenso.

No terremoto de 1839, ele foi derrubado de seus apoios e foi ressuspensado pela Irrawaddy Flotilla Company, em março de 1896, com gatos e alavancas de fuso, usando fundos de assinatura pública.

Quase ao lado dele, fica a Mingun-Mya Theindan Pagodahttps://www.renown-travel.com/burma/mandalay/hsinbyumepagoda.html – uma bela construção branca, também conhecida por Hsinbyume Pagoda, por ter sido construída, pelo Rei Bagyidaw, em 1816, em homenagem à princesa Hsinbyume.

Seu formato, diferente das demais pagodas de Burma, representa o Monte Meru – http://www.hinduwebsite.com/hinduism/concepts/meru.asp , considerado o centro do Universo pela cosmologia Budista. Ela é circundada por terraços que significam os seis reinos na concepção budista – dos infernos, animal, dos espíritos, das asuras (antideuses), dos seres humanos e dos deuses. Nos seus entremeios o plano representa a terra e as ondas representam o mar.  – http://zeusbudismo.blogspot.com.br/2009/05/cosmologia.html

Visitar pagodas e templos é interessante e maravilhoso porque vemos ao vivo aquilo conhecemos pelos meios de comunicação.

No entanto, há um lado maravilhoso que livro nenhum mostra, que é a vida local como ela é, com seus usos e costumes. Por exemplo: paramos no meio do caminho para conhecer Chinlonehttps://pt.wikipedia.org/wiki/Chinlone , um misto de jogo de bola com dança, que é tradicional na Birmânia há mais de 1.500 anos. Segundo informações, pode ser jogado por mulheres, mas predomina entre os homens. Que habilidade com a bola!

Dali fomos para Mahamuni Buddha Temple – https://www.renown-travel.com/burma/mandalay/mahamunipagoda.htmlum dos maiores locais de peregrinação do país. A grande a atração desse local é o Mahamuni Buddha, uma grande estátua do Buda – Mahamuni significa Grande Imagem. Ela fica dentro de uma câmera onde só homens podem ter acesso para reverenciarem o Buda e colocarem folhas de ouro na sua imagem, em sinal de respeito. Vale ressaltar aqui que, com o passar do tempo, ela tem se modificado por causa da aplicação dessas folhas.

Segundo a lenda, o rei de Arakan, um estado da Birmânia, ficou muito impressionado com os ensinamentos do Buda que pediu a criação de uma imagem à sua semelhança. Para isso, ele e pessoas ricas de Arakan doaram ouro e outros objetos de valor que viabilizaram a criação de uma imagem realista do Buda. Ainda segundo a lenda, o Buda consagrou e animou a imagem, após o que as pessoas a chamavam de Imagem viva Mahamuni.

Não sei se essa é a causa do minucioso ritual que acontece todos os dias às 4h da manhã quando um antigo monge do Templo Muhamuni, testemunhado por vários budistas – homens à frente e mulheres atrás, separadas por cordas – lava o rosto da imagem e escova os seus dentes.

Nós não tivemos a oportunidade de ver o ritual, mas Tony e Kingiro colocaram umas folhinhas de ouro nela.

Por falar em folha de ouro, na sequência fomos até King Galon –   https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g295408-d6483673-Reviews-King_Galon_Gold_Leaf_Workshop-Mandalay_Mandalay_Region.html – conhecer o processo de fabricação do que eles chamam de Golden Leaf e ver os objetos fabricados por eles. Vale ressaltar que, segundo informações colhidas na internet, essa é uma atividade exclusiva de Mandalay. Em nenhum outro lugar do país encontramos a fabricação de folhas de ouro.

Apesar de ser uma fábrica, os preços dos produtos são relativamente altos. Isso se justifica se pensarmos no trabalho que é exigido para confeccioná-las.

Nosso almoço foi no Golden Duck Restaurant – https://www.facebook.com/pages/Golden-Duck-Restaurant/365635413456951 – uma das melhores refeições que fizemos até aquele dia. Comida deliciosa.

Depois do almoço fomos conhecer o Shwe Nandaw Kyaung Monastery – https://www.renown-travel.com/burma/mandalay/shwenandawmonastery.html , também conhecido por Golden Palace Monastery. Ele estava no complexo do palácio de Amapura e foi transferido para Mandalay para se tornar o apartamento real do Rei Mindon. Não possui imagens de Buda. Foi decorado com mosaicos de vidro e trabalhos esculpidos na madeira. Apesar de deteriorado pelo tempo, sobreviveu à destruição da 2ª Guerra Mundial.  Nele estão preservadas as 10 histórias sobre o nascimento de Buda – The Ten Great Jataka e as esculturas na madeira datadas do Século 19. Daí a sua importância para a história.

Em seguida fomos conhecer o maior livro do mundo. Como é isso? Uma Stupa Budista –  Kuthodaw Pagodahttps://edukavita.blogspot.com.br/2015/06/pagode-kuthodaw-e-maior-livro-do-mundo.html  – também conhecido como o maior livro do mundo, localizado aos pés da colina de Mandalay. Foi construído pelo Rei Mindon Min, em 1857.

Segundo registros, o rei, preocupado com a possibilidade de perder os ensinamentos do Buda Gautama devido a invasão dos ingleses, resolveu preservar todo o texto do Tipitaka Pali Canon, do budismo Theravada, inscrevendo-o em grandes lajes de pedra de um metro de largura, um metro e meio de altura e 13 centímetros de espessura. Cada laje foi colocada num santuário chamado Kyauksa Gu e estão organizadas ao redor do Pagode Central Dourado. Ao todo, são 729 inscrições com o texto e uma com o registro de como tudo surgiu, somando 1.460 páginas. Daí a representação figurativa de um livro, considerado o maior do mundo. Originalmente, cada santuário possuía uma pedra preciosa no seu topo. Os textos foram escritos em birmanês redondo e a escrita foi coberta com filamentos de ouro, que foram retirados durante a invasão inglesa, junto com quase todas as pedras preciosas.

Ao vivo, é muito mais do que qualquer descrição generosa. Belíssima!

Depois fomos para Sun Taung Pyae Pagodahttps://catbirdinthemekong.wordpress.com/tag/su-taung-pyai-pagoda/ –   localizada no topo de Mandalay Hill.

Diz a lenda que quem quiser ter vida longa deve optar por subir a pé, apreciando a beleza do lugar. Essa é uma das opções. Não foi a nossa. Deixamos nosso ônibus e pegamos carona numa camionete. Bem, pegar carona é um modo de dizer. Foi esse o transporte público usado para a subida do morro. Vale registrar que foi bem mais tranquilo do que os demais que experimentamos até aquele momento. Subir na camionete foi bem mais fácil do que encarar os 1729 passos até o topo, se fôssemos a pé.

Uma vez lá em cima, deu para ver a beleza da região. Para se ter uma ideia do calor, sem sapatos, como sempre deve ser a visita nesses lugares, para observar a região, só mesmo bem junto ao muro conseguíamos ficar sem sofrimento, ou seja, sem queimar os pés.

Já que o calor é muito forte nessa época do ano, não esperamos o pôr do sol, que dizem ser belíssimo, e fomos para o hotel.

A troca foi ótima também porque ele possuía amenidades dignas de serem aproveitadas.

Optei por fazer massagem. Myanmar Massage  – https://www.youtube.com/watch?v=jg6tb8hGSOE  – é uma bênção para o corpo e para a alma. O relax durante 1 hora (com um pouquinho de dor, é verdade) vale o investimento (40 dólares).

O jantar foi no próprio hotel, um buffet maravilhoso com direito a tudo que queríamos e bolo para o Walter, aniversariante do dia. Diferente do ano passado, dessa vez o bolo foi real e Walter comemorou seu aniversário com o grupo.

Depois do jantar, ficamos no bar do hotel curtindo um conjunto maravilhoso que estava tocando umas músicas muito gostosas.

Hoje, depois que tudo passou, tenho a certeza de que foi o dia mais bonito da viagem. Tivemos outros maravilhosos, mas a sequência do que vimos foi de uma riqueza ímpar.

Walter não participou porque tirou o dia para descansar. Ele pode ter tido um dia lindo, curtindo o hotel, mas foi uma pena não ter visto o que vimos.

 

Férias 2017 – 09 de junho – Kalaw

09-06-2017 – sexta-feira

Logo cedo, saímos do Mandalay Hill Resort Hotel em direção ao aeroporto, para pegarmos o avião com destino ao aeroporto Heho, em He Hoe. De lá, iniciamos um percurso, cujo destino, no final do dia, seria Kalaw.

Foi uma viagem de 40’ que, se fosse por terra, não levaria menos de 8h por causa das condições da estrada.

A chegada ao aeroporto de Heho foi às 9h45. Voo tranquilo e rápido.

Vale registrar aqui a nossa facilidade com a bagagem. A única coisa que sempre nos foi solicitada foi conferir se nossa bagagem estava no ônibus ou fora dele. Nosso guia providenciava tudo para que não precisássemos nos preocupar entre o despacho e a recepção dela no quarto do hotel. Que delícia!

Logo depois que saímos do aeroporto, paramos para ver o mercado de bois – Oxen Market – que fica na estrada que vai do aeroporto para Pindaya. Bois e búfalos estavam sendo negociados. Interessante! Pena que não deu para entender o processo de compra e venda porque a língua que falam é indecifrável.

Assim que chegamos a Pindaya, paramos para almoçar no Green Tea Restaurant

https://www.tripadvisor.co.nz/ShowUserReviews-g612366-d1995814-r380761586-Green_Tea_Restaurant-Pindaya_Shan_State.html

Pindaya é uma pequena cidade no estado de Shan. Ela é muito aconchegante, tem um grande lago no meio e muitas árvores em todos os lugares.

É um famoso lugar de peregrinação Budista e de confecção de guarda-chuvas de papel artesanais.

Há três “cavernas” no cume no sentido norte-sul, mas só a caverna sul pode ser visitada, a Shwe U Min Cave, também chamada de Pindaya Cavehttps://www.renown-travel.com/burma/pindayacave.html .

Depois do almoço, fomos conhecê-la.

Tinha lido sobre ela que, ao vivo, é muito mais bonita do que qualquer foto que vi. Parece que o lugar emana uma sensação de bem-estar.

Pindaya: Eu tenho a aranha! Pindaya Cave é uma caverna com mais de 8.000 imagens de Budas. Algumas das estátuas mais antigas e imagens têm inscrições que datam de 1783. Seu símbolo é uma gigante aranha que fica logo na entrada da caverna.

Reza a lenda que sete princesas se refugiaram na caverna após o banho no lago porque não conseguiram voltar para casa. Durante a noite, elas incomodaram uma imensa aranha que estava tentando dormir. A aranha, irritada, bloqueou a saída, impedindo-as de saírem. Um príncipe passou por lá, elas pediram socorro e ele perguntou o que elas dariam em troca para serem libertadas. Elas disseram que ele poderia casar com qualquer uma delas, se matasse a aranha. E foi o que ele fez. Após matá-la, ele gritou Pindaya (Eu tenho a aranha) e se casou com a mais jovem das donzelas.

Há esculturas da aranha e do príncipe apontando com seu arco e flecha na entrada da caverna.

Se a história é realmente essa, não sei muito bem o que isso tem a ver com a caverna maravilhosa que encontramos. Enfim, vale o registro.

O que se pode dizer é que é uma caverna belíssima com imagens de budas de diversos formatos, tamanhos e material. Um lugar que vale conhecer pela sua beleza.

Enfrentar os inúmeros degraus não é para qualquer um. Mas…..um pouquinho escondido tem um elevador. Portanto, se não se importar de perder a vista da subida, procure o elevador. As pernas agradecem. Nós subimos sem problemas.

Já em Kalaw, um lugar muito próximo, paramos para conhecer algumas coisas típicas do Myanmar. Uma delas, chá com leite, horrível, na minha opinião. Como ele foi oferecido pelo guia, não podíamos desdenhar a generosidade. Coisa difícil! Também conhecemos Colia, uma fruta considerada afrodisíaca. Ela é vendida em grãos, que são colocados em potinhos. Parecem feijão. Segundo o guia, mastigar 5 sementes um pouco antes do romance produz efeitos surpreendentes. Não provei porque não tinha motivos para isso na viagem e também não quis testar seus outros benefícios porque fiquei com medo de quebrar dentes – é dura pra caramba. Mas comprei dois potes. Vai que….

Alguns do grupo provaram e, para um dos homens, o efeito foi surpreendente: ele dormiu. Rsrsrs

Dizem que Colia também é boa para hipertensão, gases, diabete, rim …. quem sabe as sementes que eu trouxe têm alguma serventia. Boas para tudo!!!!

Ainda demos uma volta na cidade antes de irmos para o Hill Top Villa Hotelhttp://www.hilltopvillakalaw.com/ . Como chovia e estávamos cansados, ficamos por lá. Descansamos um pouco antes do jantar (servido no próprio hotel) e, depois dele, ficamos na recepção para acessarmos a internet, já que não tínhamos wi-fi no quarto.

Foi um hotel dormitório. Nada fizemos e nada vimos. Apenas comemos e dormimos. Ainda bem. Não sei dizer se é bom. É sistema de chalé, no meio de muita vegetação. Dá um medo de bichinhos!!!! Não gosto de tanta natureza assim em lugar desconhecido. Rsrsrs